Blogando a vida de Au Pair

E a vida continua uma caixinha de surpresas.

Sempre quando eu entro no msn vem um goiaba que vem me cobrar "Vai atualizar o blog não? Tem que atualizar"...
Mano, eu atualizo o blog quando eu quiser, esse blog é meu e as ideias são minhas. Chá criatividade não dá em árvore e ainda não existe...só se eu fumasse maconha, aí sim, mas não é o meu caso, eu não fumo.
Pra contar a verdade eu nem tenho novidade pra contar todos os dias e estou evitando ir para San Francisco, agora que é época de chuva não vai ser nada legal andar por lá e escorregar de bunda em uma poça de água.
Quando a coisa ( no caso eu) começa, não tem madeira que isole, não tem simpatia, nem santo desatador de nó de marinheiro, menos ainda das causas impossíveis que torne possível a sorte sorrir para mim.
É obvio que estou falando de San Francisco, cidade que conspira contra mim, sempre.
O dia (11/12) começou indo para SFO com a Nayra, era o último fim de semana dela nos USA, o ano dela como aupair acabou e ela voltou na terça seguinte para Brasília. Por um instante, Nayra quase nem voltava viva para o Brasil, como diz o ditado: "Mulher no volante, perigo constante"
Não tente imaginar o perigo quando a mulher do volante sou eu, ainda mais em SFO.
O trânsito da cidade é um pouquinho agitado, algumas ruas complicadas, cheios de becos, ruas sem saídas e nunca se sabe quando a rua é de sentido único ou duplo, menos ainda o que é mão ou contra mão...sigo na contra mão.
Estamos andando pela rua, procurando as "Ladies Painted Houses" quando eu vejo uma placa de DO NOT ENTER.
Aviso ou não aviso, foi a mesma coisa que "Abestada, entra aqui ó ". A placa tá aqui só pra enfeitar a cidade.
Nice, Joyce, agora sai do carro que você está andando no TRILHO DO METRO. Olha, uma luzinha no fim do túnel...o quê será que é, hein?  Um povo meio maluco começou a pular, fazer gestos, e eu entendendo nada, foi aí que a Nayra deu um grito "Sua louca, tá entrando no túnel do trem, sai já daqui, anda".
Me deu o maior susto, não precisava ter gritado daquele jeito. Pensa bem, eu poderia ter batido a traseira do carro em uma das placas que estavam atrás do carro uma vez que dei ré de sopetão.
Não gosto de coisas no susto, fico toda despentelhada e sem rumo do que fazer quando isso acontece.
Agora eu aprendi, sempre que eu ver uma placa em letras GARRAFAIS vermelhas escrito DO NOT ENTER, eu não vou entrar, mas vou ficar morrendo de curiosidade pra saber o que é que tem ali que não deixam nem eu entrar pra ver.

Não bastasse acontecer isso, a noite voltei para Sfo para a despedida dela. Eu não sabia onde era o local, pedi então para uma das meninas me esperar que eu ia seguindo, segui e no meio do caminho o carro da Parpis apaga, nada funcionava. A nossa "sorte"foi que conseguimos empurrar o carro até o estacionamento que estava na frente. Não consegui ir na festa de despedida da menina, que estava muito perto de mim.
Acordar com o pé esquerdo? Tenho a leve sensação que não só o pé e sim o corpo todo acordou voltado para o left side.

Tivemos também a semana do quebra-quebra aqui na casa. Tudo começou quando meu host foi dar uma de meninão pulando no trampolim da empresa e acabou deslocando o ombro, ficou com o ombro e o braço imobilizados, sendo então impedido de fazer qualquer coisa com a mão direita. 
Ih, já vi tudo, vou virar aupair do host "Joyce, can you help me? Joyce, could you please do it, do that" Joyceeeeeee, terminei de fazer xixi, balança?"
Logo depois o portão eletrônico foi quebrado pelo vento e por fim o microondas...tudo poderia ter quebrado, menos o microondas.

Desenhando com o caçula, coloquei algumas músicas infantis para tocar e notei que as canções infantis do cancioneiro popular são cheias de tragédias, né? Liguei o Sonos e selecionei algumas músicas e só se ouvia desgraças.
Cai, cai, balão, cai aqui na minha mão ( masoquismo)...Não cai não...cai na casa do sabão..Cai na minha casa não, balão, cai na casa do vizinho, ele que se foda.
Sambalele estava doente, com a cabeça quebrada, mesmo assim precisava levar umas lambadas ao invés de ir no médico -  Isso me faz lembrar um fato que aconteceu na minha família. Meu irmão caçula se afogou na praia o salva-vida resgatou, o moleque nem se recuperou e já estava apanhando da minha mãe.
Fui no cemitério, tério tério tério, era meia noite, oite,oite. Que diacho uma criança foi fazer lá essa hora?
Na capelinha de melão, São João dorme, e a pivetaiada mardita do cu riscado vai lá fazer pirraça para o velhinho com alzheimer acordar, "acordai, acordai, João", tadinho.
E o mais "bão de peor" ainda é o boi da cara preta..."pega essa menina que tem medo de careta". Algumas pessoas insistem em cantar quando a criança vai dormir, visualiza.
Cantada devagarzinho, como se não fosse o bastante ter que ouvir essa sinfônia do capeta, a mãe ou pai imendam um "Dorme neném, que a cuca vem pegar" papai foi para a roça, a mamãe foi trabalhar. 
A criança pensa "Eu vou me foder mesmo que é que tem eu não dormir? Vou ali passar um hipoglós no toba e esperar o nabo entrar". Papai tá na "roça" mas não tá mais fudido que eu, que vou sonhar com a cuca fazendo montaria no boi da cara preta na festa de peão de Barretos - Pensa a criança, coitadinha, que por isso vai enfrentar anos de terapia por ter o furico frouxo demais que não segura a caganeira, tudo culpa das vezes que o papai cantava essa musiquinha lazarenta. Coitada da criança que não vai poder tomar nunca um Activia e não vai saber como é bom ter todas as pregas intactas e o toba ressecado.
Dá pra ferrar um pouquinho mais, sempre...cantando no ritmo do axé music.
Ah, sei lá, essas músicas eram na minha época, hoje em dia nem sei se ainda é cantada. Atualmente as crianças são tão avançadinhas e libidinosas que eu não duvido que o "atirei o pau no gato" deve ter virado "Enfiei meu pau no gato-to-to, mas o gato nem ligou-ou-ou, foi ai- i-i que eu me toquei-quei-quei que o gato, que o gato era gay".
Ronaldo! Depois cresce e não sabe a diferença de um travesti e mulher.

Ai, caramba, postei e esqueci de colocar algumas fotos das casas que visitamos.



Quer saber da história? Pesquisa no Google, pô.










Querido Diário,


Eu não tenho um diário mas é assim que as meninas adolescentes começam um diário.
Confesso que fui adolescente, e eu tive um diário que foi a minha primeira babaquice de tantas outras que eu cometeria.
E sabe o que é pior que tudo isso? É a ingênuidade sem tamanho que eu tinha em acreditarque aquele cadeadozinho mequetrefe filho de uma putinha do exército protegeria com sete chaves o que eu escrevia.
O pior maior é confessar que eu sou panguá desde os treze anos e que mesmo depois de tomar no cu por conta desse diário eu ainda teimei em continuar escrevendo nele, só que dessa vez, a escrever na linguagem dos bobocas, "P" "Phopje peu pfui pna pcapsa pda pferpnanpda pe peu pvi po pirpmao pdepla, pai pque plinpdo pque peple pesptapva"...
Putz, dava um trabalho do cacete escrever essa merda.
Meu, eu me pergunto sempre e sinto vergonha alheia ( como se eu não fosse eu). Queria saber o motivo de eu não ter sido uma adolescente comum que comprava Capricho, Atrevida, Antenada e se juntava com as amigas para dançar o Tchan, ou ouvir aqueles pagodinhos mela-cueca, meio "Katinguele".  Porque é que eu fui gostar de Hanson ao invés de Back Street boys? E o pior, por qual diabos eu fui gostar de Brad Pitt e mandar uma cartinha para o Fan Club dele pra me afiliar àquelas doidas histéricas e ainda durante anos servir de chacota pelas pessoas que descobriram minha cartinha? O.o
Depois disso eu resolvi parar de gostar de gente que só queria o meu dinheiro e nem conhecia minha existência e daquelas que embora saibam e conheçam a nossa existência insistem em ignorar e somem sem mais, e nem ao menos tem coragem de dizer "tchau". Ops!

Minha mãe, certa vez foi fuçar o meu quarto e achou o meu diário com a foto de um menino - que na época eu achava lindo, mas hoje o cão chupando manga é mais sensual que ele - e não contente em ler os meus segredos ainda foi mostrar para a vizinha que tinha um filho fofoqueiro do cacete ( aprendiz do meu pai) que foi correndo bater com a língua nos dentes para o desafortunado desprovido de beleza que eu gostava dele, fato esse que deixou o garoto extremamente irritado.
Acho que ele não gostou de saber que a menina do cabelo dos Jackson's Five gostava dele. Pelo menos o meu tórax não era amassado, minha cabeça não tinha o formato da chapada diamantina e eu não tinha irmãs que falavam pelo nariz - puta que pariu, eu tinha ( e ainda tenho) cada gosto.
Depois dessa minha fase melação, eu resolvi colocar os pés no chão e a cabeça no lugar e virei o que segundo Marília Bombardi me descreve "delicada feito um elefante de ressaca em loja de cristal procurando um espelhinho..."
Graças ao PAI, essa minha fase de menina melosa passou depois que eu fui para a escola pública, demorou, mas depois dos quinze eu resolvi fazer piada com a cara de todo mundo e ser nada menos delicada.

Como escrito no post anterior, fiquei dez dias com os pequenos, os pais foram para a Etiopia pra acertar a papelada do quinto elemento que chega aqui no dia 23/12....Eba, agora eu tenho cinco "nêgo" para carregar de cavalinho e  pra fazer peso no "booooooolinho na Joyce". Nice, que divertido vai ser eu passar as próximas décadas na terapia e na fisioterapia tentando colocar as costas no lugar, lembrar da época em que eu queria porque queria ser aupair e tomar no copinho pra fazer vácuo no toba, porque o nabo é grande e grosso entrando sem vaselina rompendo todas as pregas do furico. Ah, isso sim que é tomar no toba com classe e de uma só vez.
Eu podia "estar" matando, roubando bancos, rodando bolsinha na esquina, podia continuar trabalhando no mesmo emprego que eu odiava, mas não, a labareda de fogo que que queima no meu toba me mandou ser aupair e como a minha consciência está na bunda eu acabei fazendo merda e cá estou. Joyce, você é mesmo um bicho marmota.
Quando me avisaram que eu teria dez dias com os pequenos eu nem achei tão ruim assim ( nariz crescendo), eles são educados e não tenho problemas com eles, mas quando me disseram "A minha mãe vai ficar aqui e ajudar" eu pensei "Fodeu" e eu vou tomar naquele lugar bonitinho.
Pra melhorar a situação o clima da cidade não estava para passeio, chuva, vento e muito frio. O resultado disso foi quatro mini gangsters entocados na casa com a aupair.
Foram dez dias de adrenalina, grito, surto, separando brigas, levando pontapés e voadoras.

Fiz das tripas um coração e do cu uma sanfona para fazer uma "UPP" dentro da casa, a situação estava ruim, algo semelhante ao que aconteceu no Alemão durante as últimas semanas. Aqui só não tinha bazuca.
Depois de muito tentar( e apanhar), eu decidi não mais apartar as brigas de ninguém. Corri para a sala procurei o melhor ângulo do sofá para  assistir, estavam na minha frente os futuros competidores de luta livre, mas eu tive que tomar a responsabilidade para mim quando a coisa começou virar  "Mortal Kombat" com sequências de golpes e fatality.
Juízo? Sim, eu tenho, mas o manual está em hebraico arcaico.

Nesses dias as crianças assistiram muitos filmes e assistindo um filme chamado "Parenthood" M, (8 anos) me disse "Joyce, acho melhor você sair da sala, essa cena é uma que eles fazem sexo, um moço  aparece de cueca, você não vai gostar de ver" Whaaat?
Em um desses dias, eles inventaram que querer ir no Horse Hill, uma colina alta e me fizeram correr horrores morro acima.
Em um dos posts anteriores eu comentei a minha adaptação ao paladar americano, que ao meu ver continua sendo altamente duvidoso.
Comentei uma vez a respeito da manteiga de amendoim, que para mim continua sendo sobremesa do capeta, feito na valeta do inferno pelo exú caveira ( Lá vem a minha mãe: "Táááá amarrado").
 Acontece que essa semana eu experimentei Almond Butter, manteiga de amêndoa, achei o cheirinho gostoso mas só porque era caro.
Não tive dúvidas, peguei uma banda de pão, taquei o negócio e por cima do negócio enfiei geleia de morango, mandei pra dentro. Adorei, super de gente rica.
Claro que eu nunca ia gostar de manteiga de amendoim. "Minduim" é muito desglamour e não é nada high society. Amendoim é tão viagra de cachaceiro. 
Novela da carteira de motorista, depois de quatro provas eu passei e explico como. Colei e quem quiser as respostas das três provas em português do DMV de Marin, me procura que eu tenho. O.o
Começou a época da chuva, não dá pra fazer muita coisa nos dias livres a não ser assistir filmes. Falando em filmes, semana passada eu cai na besteira de assistir "Eclipse"... Qual motivo, Deus de eu fazer essas coisas, me explica Senhor.
Cenas mais absurdas do mundo. O clã dos lobos vestidos como se fossem dançarinos de axé...vestidos? Nada, uma bermudinha jeans desfiada na ponta, uma tatuagem no ombro e um boots no pé já classificam os elementos como lobinhos metrossexuais depilados, já que originalmente lobos deveriam se caracterizar como seres peludos e não depilados. Stephenie Meyer é um gênio.
Piorando um pouco mais, é a cena de quando a personagem que tem cara de que sofre de diarréia eterna está morrendo de frio no topo da montanha e o "Jacó bocoió" aparece naquele frio do cão SEM CAMISA E DE SHORTINHO. Fim do filme...pelo menos para mim.

Essas semanas são semanas pesadas, família toda indo para a Etiópia, milhões de doações de roupas chegando, a gente empacotando, pesando malas, subindo e descendo escadas para levar e trazer coisas. Cansativo mas ao mesmo tempo é gostoso de fazer. Empacotamos muitos presentes, roupas, para levar para os orfanatos da Etiópia, ao total são dez doze malas enormes com 50 pounds cada uma.

Nayra vai embora dia 14/12, fiquei triste, o ano dela como aupair está acabando. Tenho um enorme carinho por ela que foi a primeira pessoa a me ajudar com essa nova vida. Confesso que já estou sentindo falta.
O frio tá chegando, quero um date!

About me (por Tom)

Joyce Galindo é uma semi-balzaquiana ( não existe SEMI neste caso), melhor dizer que sou uma velha de e tenho 28 anos, carioca com sotaque paulista( meu). Exigente por defeito genético, tentou passar na fila da exigência mas vezes, como não deixaram, ela foi buscar os seus direitos no atendimento ao consumidor. Chata pra cacete e detesta quando as pessoas usam o "Mim" antes do verbo, tendo até mesmo coragem de corrigir quem quer que seja em qualquer situação ( não é bem assim), deixo de lado os comentários que ela faz quando alguém "está tendo que usar o gerúndio". Já fez campanhas na empresa para o " Bom uso e emprego da palavra Literalmente", literalmente falando é díficil de aguentar (ops, empreguei a palavra errada, foi?).

É Formada em Marketing, decidiu ser aupair. O motivo? Segundo o que ela diz " Experiência Internacional, além de ser um MEGA up na carreira, é chique" - Mentira dela, na verdade ela sabe que os "mano pira nas mina poliglota"

E para muitos e principalmente para mim os motivos são:

" Essa daí? É louca de pedra por parte de pai e mãe" - Ana Paula

" Non-sense total" - Rafael

" Ela vai comprar Victoria Secrets e Guess mais barato que eu?!" - Paulão (what?!?! O.o).

"Agora que ficou internacional vai ficar díficil de aguentar, ela vai me corrigir no inglês também?" (vc ainda tem dúvida?) - Fábio R.


Vamos ver como é que ela vai voltar dessa MEGA expêriencia.




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