Tracy dizia que chegaria a hora que a criança estaria de saco cheio com a aupair e com certeza ia soltar "Você não é a minha mãe".
Isso aconteceu semana passada.
Já me acostumei com o mau humor matinal, vespertino e noturno da pequena, que sempre vem com um dia sim e o outro também. 
Ela só fica de bom humor quando eu digo "Let me show you a nice thing", ela já sabe que eu vou mostrar um monte de monstros na internet.
Estou há um pouco mais de quinze dias com essa minha stepfamily, e confesso que se eles fossem minha família original eu pediria rematch, não por causa da familia e sim por causa da menina.

A pequena só come na frente da TV, e dias atrás eu tive a péssima ideia de querer desligar ( Joyce e as suas ideias nada praticas), chorou de soluçar.
Pra melhorar a situação os pais trabalham em casa, é uma espécie daqueles tipos de negócios que a gente no Brasil acha ridículo, estilo Herbalife e derivados, pelo menos aqui dá certo (casa em Tahoe, autobus, três carros e tudo mais).
Então, tudo que eu tento fazer para adiantar o meu lado a presença dos pais atrapalha bastante, qualquer coisa ela corre para eles.
Ah, mas eu tive o meu dia de glória. Durante alguns dias o pai ficou fora, e a mãe precisou sair várias vezes, então eu e  diabo loiro a pequena tivemos um dia só nosso (risada maquiavélica). Peguei a gúria pra capar, judiei mesmo, ficou de castigo, tirei a tv, tirei os brinquedos e pra piorar a situação eu mandei ela tirar uma soneca e só sair do quarto quando estivesse pronta pra me escutar, ficou uma seda durante cinco dias, o pai chegou e meu trabalho foi parar no ralo.

Ela adora ajudar, com apenas três anos já dá os seus pitacos na cozinha.
Estava no meu quarto, ela veio logo atrás, adora fuçar nas minhas coisas quando eu estou no quarto, e em uma dessas fuçadas ela abre o armário e pega uma calcinha minha, me olha com uma cara de quem não entende o que é aquilo e solta " Wooow, the monster is here, look his underwear".
Tudo bem que minhas calcinhas não são do estilo "atocha, tira, e perde no meio das bandas" mas também não era pra tanto.

Depois que eu a expulsei do quarto a danada cismou em brincar na lavanderia e justo na cortina, ouvi um barulho enorme da cortina e os trilhos caindo e o choro da pentelha. Ela chamava pela mãe e eu besta fui ajudar e tomei no toba "You are not my mommy"
Sinto muito, mas eu não deixo nada passar barato, nem pra criança, e soltei "Yes, I'm not your mommy, I have hair, you haven`t, my hair is curly and you hair is weird, my skin is brown and your skin is...I don't know what color this is, I'm big and you are not, so, go out right now and don't cry anymore".
Chorou mais ainda e ficou com um galo enorme naquele cucurucu esquisito.

Tenho notado que a minha sessão "vergonha alheia" deu uma parada, acredito que Deus teve piedade de mim e resolveu me dar uma trégua, pelo menos por enquanto.

Notícias não muito boas pra mim...
Fico mais um mês aqui, e volto para Mill Valley somente em agosto. Isso significa que o confronto 5 x 1 está marcado para o final desse mês. Vou deixar as minhas técnicas psicológicas ninjas de lado e começo a por em prática as técnicas do "ninjutsu" que aprendi anos atrás, se o Rivotril não resolver vai ter voadora.

Notei que americano não gosta de casa limpa, semana passada o limpador de casa veio aqui e fez uma faxina muito meia-boca, e depois eu não pude acreditar no que eu ouvi "uau, J. é um ótimo limpador de casas, é o melhor da regão", eu olhei do lado, olhei do outro e pensei WHAT?!?!.
Esse povo tem um conceito muito duvidoso do que seja limpeza, olhei debaixo da minha cama e meu quarto estava sendo comido pelo pó, olhei a mobília e parecia que não passava um pano ali faz tempo.
Sinceramente, eu não sou muito boa de limpeza, mas se eu tentar limpar essa casa eu garanto que eu tiro o emprego do homem.

Eu fiquei assustada com o que eu vi algum tempo atrás, no playground a mãe falou para o filho que se ele continuasse de desobediência ele ia ficar três dias sem ter livro pra ler. A criança ficou quietinha no canto e ainda perguntou se poderia ler um livro a noite.
Brasil x United... Quando isso acontece no Brasil? Nunca! Se a minha mãe falasse que eu ia ficar sem livro, eu daria pulos de alegria.
Quando criança, eu detestava qualquer tipo de leitura obrigatória, aliás, estudar nunca foi minha praia.
Me lembro de ter passado de ano direto, sem recuperação somente na terceira série.
Eu sempre fiquei de recuperação no meio do ano e no final do ano,  pra melhorar eu repeti a sétima série.

Sábado foi dia dos namorados no Brasil...Meus pêsames pra quem se encontra nessa situação, porque quem é solteiro é mais feliz.
Eu sempre vejo alguns casados reclamando do dia dos namorados e algumas mulheres até reclamam com os maridos que quando eles namoravam era diferente, acho que o cara deve pensar também no passado, quando tudo era diferente e ele podia carregar a moça no colo.

Ah, a partir de hoje vou tentar justificar a formatação do texto, isso não era possível antes porque ficava estranho. Se der certo, ok, se não der amém...