Essa semana eu decidi fazer o teste escrito para a Drive license.


Há um mês atrás, eu agendei de fazer a prova no dia dois de setembro , tudo isso a gente faz on-line. Perto da minha casa não tinha como fazer, então o mais próximo foi agendar para Oakland, há quarenta minutos de carro.

Dias antes, eu descobri que não precisava agendar coisíssima nenhuma, e que era só ir em qualquer escritório que eu faria a prova. Isso quem me contou foi a Nayra, mas ela poderia ter me falado isso bem antes, mas eu não perguntei, tomei.

No dia dois, fui para Corte Madera, enfrentei uma fila do capeta. Fui atendida por um japonês muito mal educado filho de uma gueixa. Checou meus documentos e disse que o meu Last name estava errado, e que eu não tinha nome do meio. Como assim, meu filho? A minha vida inteira eu fui Joyce Galindo Claudino só agora você vem me avisar que esse não é meu sobrenome?

A questão era que no sistema dele meu último sobrenome era GalindoClaudino, sem espaço entre os dois, isso que confundiu a cabeça de miojo do japona. Muito estúpido, me pediu pra voltar no escritório do Social Security pra me regularizar. Perdi o dia inteiro na fila e voltei pra casa sem prova feita.

No dia seguinte, acorda a Joyce muito cedo e vai para San Rafael resolver o problema. Pra quem conhece Marin City sabe que San Rafael é um cúmulo, eu tenho que sair do Sul do condato pra ir para o norte. Pra quem está de carro faz isso em cinco minutos, exceto eu, de carro faço meia hora porque eu sou muito panguá e me perco demais por aqui. Okay, eu reconheço que fui panguá mais de três vezes, errei o caminho feio. Fiz tudo isso com o GPS me dando as direções, ninguém é perfeito. Errar é humano, persistir no erro não é burrice, é surreal.

Chegando em San Rafael...mas antes de chegar eu tenho que comentar que eu perdi o ônibus duas vezes, isso porque passaram na minha fuça. Cheguei, falei o ocorrido para a atendente e ela me disse que não havia nada de errado com o meu sobrenome e que estavam escritos como no meu passaporte, nome, sobrenome do meio e último sobrenome. Fiquei muito puta da vida, e só não voltei na mesma hora para o DMV porque eu tinha a viagem para LAX.

Qual o motivo do cara ter feito aquilo? Me fazer dar voltas desnecessárias? Gastei dois dias com uma babaquice dele. Japonês maldito, fez isso só pra ficar feliz, como se fosse realmente amenizar as frustrações da vida dele. Falou alto comigo, foi estúpido só pra mostrar que é o babaca do departamento de veículos de Corte Madera. Realmente esse cara tem probleminha, e o probleminha dele tem nome, chamado pinto pequeno de japonês gordo, mas conhecido como amendoinzinho ( Desculpa pai, desculpa mãe) . Ele me ferrou durante dois dias, mas o meu consolo é que isso nunca vai fazer o pinto dele crescer, se ele se sente menos triste e infeliz fazendo isso com as pessoas, quem sou eu para tirar essa felicidade toda que emana de um ser humano tão insatisfeito assim? A questão é que ele é e sempre será ferrado a vida inteira por conta desse “probleminha”.

Quinta-feira fui jantar fora com a Nayra e Ana – A Ana tem um host lindo, um deus grego - , fomos para o Outback, chegamos lá meia hora antes de fechar e eu nem preciso dizer que fomos as últimas a sair e regulamos gorjeta para o garçon. Mas, pôxa vida, esse povo precisa entender que ser aupair é estar abaixo da linha da pobreza nos EUA, ninguém ganha menos que uma aupair, ninguém é mais pobre que uma aupair e que ninguém é mais fodido que uma aupair e ponto. Pedimos mesa para três e nos jogaram longe da civilização e eu aproveitei para ir ao banheiro e procurar um lugar melhor. Entrei no banheiro tinha uma moça se olhando no espelho e outra entrando na minha frente pela porta que dava acesso aos sanitários. Ela abriu a porta flip-flop, aquelas portas que bate e volta, a moça entrou, a porta voltou, eu segurei e entrei no banheiro em seguida e a moça simplesmente sumiu, não havia ninguém no banheiro além de mim. Haviam somente três cabines e as três estavam vazias, portas abertas, ninguém poderia se esconder naquele banheiro. Enfim, decidi fazer o meu xixizinho rapidinho e me picar dalí antes do “Fantasma moreno”oxigenar os cabelos e voltar como loira do banheiro pedindo pra eu tirar o algodão da boca. Hum, hum, tiro nada, pois eu acredito que deve ter um bom motivo pra aquele algodão estar na boca da loira do banheiro, há anos que o fantasma não escova os dentes, alguém, por bem decidiu enfiar um algodão ali.

Sexta-feira foi o meu voo para LAX. Fui pegar o meu voo para LAX, levei o meu laptop de 17 polegadas, um monstro e fora a minha malinha monstro para três dias. Chegando por lá, ví que não daria pra passar a noite no aeroporto. De todos os aeroportos, o mais furreco é o de LAX. Não tem acesso wi-fi, e se passar da segurança não tem como voltar para trás. Mandei uma mensagem para a Deza perguntando qual notícia ela queria primeiro. Dei a má, que não poderíamos passar a noite no aeroporto, e a boa é que tínhamos chegado, pelo menos eu fui otimista.

Carol, de Ohio...que o parta, foi a primeira a sair de casa para o embarque e a última a chegar devido ao fuso e pra melhorar a situação ela estava em uma plataforma diferente da nossa, muito longe...quem mandou morar em Ohio?

Em um dos posts anteriores eu escreví que mesmo quando não é pra se f..., eu acabo aceitando algumas propostas só pra me ferrar, dito e feito, temos agora um bando de quatro aupairs que não têm um teto pra passar a noite, menos ainda o conforto do chão o aeroporto. Ah, claro, nada pode ficar pior do que ser uma sem teto durante uma noite...quem foi que disse isso? Um panguá desorientado (as), assim como nós pensaria dessa forma, e foi assim que aconteceu.

Bora lá pegar um shuttle e pegar um carro, já são três horas da manhã e precisamos de algum lugar pra ficar, nem que seja no desconforto de um carro compacto. Fomos alugar o carro no meu nome, porque sendo a pessoa mais velha o valor diminui, no nosso caso o carro não custou nada mas também não levamos, motivo, Aupair não tem cartão de crédito. Esgotaram-se as esperanças e alguém teve a brilhante ideia de bater na porta do hotel às 3h00 da matina e conseguimos passar a noite na recepção do hotel, e o check-in só poderia ser feito 14h00. Tá, Joyce, já que está na merda cai pra bosta...Bonito, que vamos fazer com todo esse tempo, cheias de bagagem e pra piorar eu ainda levei um travesseiro....Travesseiro sim, Vegas me deixou com muito trauma e eu quis me certificar que o meu corpinho descansaria em berço esplêndido.

O cara que estava na recepção às 3h00 da matina era um indiano que usava uma roupa social com uma gravata de criança, gravata essa que estava muito acima do umbigo. Amanheceu ( peguei a viola, botei na sacola e fui viajar ) e as meninas decidiram sair, eu fui também pra tomar o café da manhã numa espelunca que dava gosto, pedi tostadas francesas – não tem nada de glamuroso tostadas francesas, é igual a nossa rabanada de Natal, só um pouco mais seca, posso até completar que é um desglamour - e o quê eu recebi era algo que parecia com pão molhado ( tá no inferno, abraça o capeta), logo mais voltamos para o hotel e sentamos nossas bundas brasileiras no sofá e dá-lhe esperar.

Comecei a ficar muito puta com a chinesa malacabada que ficou na recepção no lugar do indiano, além de ser educada lá na casa do chapéu tinha um visual cibernéticamente escalafobéticamente ridííículo, uma baita de uma mecha verde na franja e um óculos a la vovó. Desejei fortemente dar um murro, mas achei melhor não, ela poderia me dar uma voadora bem servida.

Eu sou a pessoa mais chata do mundo quando eu não durmo ( fica a dica)

Conseguimos fazer o check in duas horas antes do esperado, GLÓRIA A DEUS, ALELUIA IRMÃO, eu não aguentava mais esperar, precisava urgentemente tomar um banho, lavar a calica e tirar a cara de retirante. Almoçamos comida chinesa, frango e algumas coisas. Eu relutei muito pra não comer por lá e relutei muito mais ainda em imaginar que eu realmente estava comendo um frango como estava escrito e não um cachorro.

Fizemos um tour por beverly Hills, Bel-Air, Hollywood sign, paguei 62 dinheirinhos pra ficar dentro de um microbus com um tiozinho tarado que olhava para as nossas pernas. Andamos mais por Beverly Hills do que outra coisa, e um monte de nêgo tirando foto de casa de atores. Eu como não sou arquiteta não fiquei gastando memória da minha máquina pra tirar foto de concreto, vê lá se isso faz sentido? Visitamos as praias de Santa Mônica e Venice Beach, e sim, sim, sim, eu fiz questão de fazer foto de aupair pulando na praia. Paguei pulinho na praia com as amigas ( depois de burra velha eu ainda dou uma dessas), mas pelo menos eu pulei em Venice beach e Santa Monica e não em Praia Grande ou Caraguá, aliás, ninguém pula em caraguá... nem Iemanjá passa por lá pra pegar oferendas. As praias eram tão quentes, tão quentes que eu estava quase desmaiando de calor, mesmo assim eu tive forças de andar e fui no quiosque comprar uma blusa de moleton. Quis mostrar que eu “era macho pra cacete”, por isso comprei um moleton pra aproveitar mais o calor. Mentira pura, inicialmente eu não senti frio algum, mas depois de dois passinhos pra frente ( passinho pra frente, passinho pra trás), comprei.

Tá certo que são praias fora do comum, costumeiramente vemos vendas de filtro solar, biquinis, coco e tal, nessas praias o único item obrigatório é moleton e não se preocupe se um dia você for e esquecer de levar, por USD 20 você compra o seu kit esquimó e de brinde leva um iglu. Pessoas bronzeadas e corpos sarados? Pra quê? Só tinha descendente da Branca de Neve. Eram lugares movimentados, com gente dançando e andando de patins, pista de skate e por milhares de vezes a Carol via miragens dizendo que era o Robert Pattinson, por nós, carinhosamente chamado de Roberto ou Betão da sorveteria.

Fomos ou tentamos ir ao Hard Rock Café, entramos, sentamos e vieram nos dizer que estava fechando o restaurante, somente Open Bar. Nesse mesmo dia, antes de irmos ao HR fomos ao cinema no teatro chinês assistir “Vampires Sucks” (não sei como é o título no Brasil), é um besteirol americano que satiriza a saga “Crepúsculo”. A sala estava quase vazia e aproveitamos pra rir muito alto, como sempre diz a Carol “Rolei”. Por falar em Carol, tem um vídeo dela dançando que eu só mostro se ela deixar..hahaha. Carol agora é presença obrigatória nas viagens, ela é muito divertida e exagerada.

Um dos dias quando a gente voltava para o hotel, um carro passou na avenida e gritou para a gente, e eu, educada que sou gritei também. Disse Carol “Sua louca, ele vai te assassinar, cooooorre”. Eu quase ouvi um “Corre Forest, corre”

Nessa viagem não podiam faltar os ticanos ( mexicanos), estavam em toda a parte...Carol também viu um Roberto ticano.

Hoje, meu amigo indiano me mandou uma mensagem me perguntando:

“Hi Joy,



How was your LA trip , hope you had a great time



Ajay”

E eu respondi:

My trip was awesome. I spent great time with my friends. Okay, okay I payed USD65 in a sightseeing ( not so good). I slept five hours in a living room hotel because my reservation was for a day after, I walked long hours at 3am.

I love walking night when I'm really tired and wanna sleep. Why to sleep if I will have eternity for it?

I ran because a man wanted to steal my camera and I could not rent a car but I was not sad about that...I really like train and LA is a safe place, there are not weird and dangerous people in the night that look at you all the time. I really felt like a weird creature with four eyes and green hair, purple hair and fake Korean nails.

I don't went to Universal studios because three days it's not enough for it, but I'll be back to LA because I like adventure I wanna to run at 3am again when a man ask about my camera.

I'm happy and I can not to wait for a new and crazy trip : )

Tradução...

Minha viagem foi incrível. Eu passei horas maravilhosas com minhas amigas. Okay, eu paguei 62 dolares por um turismo ( não tão bom). Eu dormi cinco horas no saguão de um hotel porque a minha reserva era para um dia depois. Eu andei longas horas às 3 da matina. Eu adoro caminhadas de noite quando eu estou realmente cansada e quero dormir. Porque dormir se eu terei a eternidade para isso?

Eu corri por causa de um homem que queria roubar a minha camera e eu não pude alugar um carro mas eu não fiquei triste com isso.. Eu adoro o trem e Los Angeles é uma cidade muito segura, não existe pessoas perigosas e estranhas na noite que olham para você toda hora. Eu realmente me senti como uma criatura esquisita de quatro olhos de cabelo verde e roxo e unhas postiças coreanas.

Eu não fui ao Universal Estudio porque três dias não é suficiente para isso, mas eu voltarei para LA porque eu gosto de aventuras e quero correr às 3 da manhã quando um cara perguntar sobre a minha câmera.

Eu estou feliz e mal posso esperar por uma nova e louca viagem.


Algumas fotos ( só clicar em cima e ela fica de página inteira), aviso pra não assustar.








Deza, eu e Carol..
Ninguém precisa me dizer, eu sei, vou cortar e alisar os cabelos.




















Pagando pulinho. Carol, é só um pulinho de nada, não precisa tomar impulso pra chegar na lua. Eu parecendo um marreco com diarréia e Deza com perfil de celebridade. Tentativa I...







 









Tentativa II... Que alegria é essa, Deza?


















Que parte do "É pra pular" Carol não entendeu?





















Finalmente!


















Panguazice que não me larga.



















Calçada da Fama.





















Tentamos muito essa foto.















Próxima parada Seattle, casa da Deza.