Na falta do que fazer eu prefiro ficar sem coisa nenhuma pra fazer, pra variar um pouco, em um dia eu faço nada e no outro eu mudo e procuro fazer coisa nenhuma.

Nessa vida auperiana que eu escolhi ( porque?), aprendi que dar "migué"e ser trambiqueira é a regra número um do manual de sobrevivência "Auperiano". Isso inclui as barbeiragens no trânsito até as gorjetas dos garçons no restaurante.
Quer ser aupair? Pois bem, faça um cursinho intensivo e aprende a ser "liiiiiiiso"
Prova de que agora eu sou toda trabalhada na miguelagem, tem sido as minhas visitas aos restaurantes, a gente come, se diverte...Uh, chegou a conta e junto a obrigatoriedade do pagamento de gorjeta.  Eu poderia dizer que a porcentagem é uma facada, mas seria muito falsa dizendo isso. É um assassinato brutal e sem piedade... 15% de gorjeta, nem a pau, Juvenal.
Cada uma paga com o cartão que tem, na hora de deixar a gorjeta na mesa, uma olha para um lado, a outra disfarça de fininho pra ver se tem alguém olhando, cada uma saca de suas bolsas uma nota de UM DÓLAR, põe dentro do encarte e "sebo nas canelas, canta logo esse pneu do carro antes que alguém venha atrás".

Eu sou muito a favor de carteirinha de pobreza para a aupair, isentando essa classe tão injustiçada dos pagamentos de tips, aliás, quem deveria receber tip era a gente.
Talvez, seu eu fizer aquela carinha do gatinho do Shrek eu consiga umas gorjetas.
Atente-se ao detalhe que não voltamos aos restaurantes, podemos ser reconhecidas.
O lance é: "Nunca volte para o mesmo restaurante". Pensa você que eu me envergonho disso? Of course que não, o must do chiquetê é nunca repetir restaurante. Ser chique é ostentar o glamour que não tem.
Agora, ninguém pode me dizer que eu não conheço todos os restaurantes da Bay area.

Estou fazendo academia perto de casa, já tem algum tempo, e nesse tempo só tenho visto pessoas bizarras malhando.
Gente malhando de calça jeans, de chinelo, roupa social, sapatilha. O povo não gosta muito de colocar roupas confortáveis pra se exercitar.
Dou aquela olhadinha de lado e vejo um professor fazendo bicicleta e corrigindo prova. Oi?

Essa semana, pela primeira vez, a mãe me pediu pra pegar as crianças na escola. Peguei o carro e fui, não sabia onde eram as classes, achei o caçula e pedi pra ele me levar para a sala do mais velho, e do mais velho eu pegaria a pequena, a outra pequena tinha saido mais cedo, foi ao médico e eu fui pegar as outras três.
Péssima ideia que eu tenho de pedir pra alguém com idade mental inferior a minha e de baixa estatura pra me ajudar em algo.
Não deu outra, o garoto se desembestou a correr que parecia até um queniano na São Silvestre, e eu correndo atrás.  Achamos os outros dois e  Okay, hora de ir embora...só se for por teletransporte, Joyce. Sua anta, você perdeu as chaves do carro.
"Vamo nói traveis". Vamos uma pinóia, eu fui sozinha porque os três tiveram a grande ideia de correr de mim em direções opostas.

Muito bem, Joyce, palmas pra você. Agora encaixa o furico no nabo porque você se fodeu, êêê! 
Foco na chave, as crianças você nem pode mais achar depois, mas pelo menos você vai voltar de carro pra casa.
Quinze minutos depois, eis que uma garotinha aparece e me entrega a chave. Detalhe, não posso esquecer de mencionar que eu botei a escola inteira pra procurar as chaves.
Por quinze longos minutos eu senti na pele o que era a real vida de aupair, a questão salarial eu já conheço, mas o estresse eu não conhecia.

Começou o outono, e a temperatura amigavelmente subiu para 35 graus, engraçado que no verão a temperatura mais alta registrada foi de 29 graus, enfim, coisas co aquecimento global.

Uma coisa tenho notado, interessante. Americano dá muito valor ao cachorro, okay, existem outras culturas que dão muito valor ao cachorro, o chinês por exemplo, gosta tanto de cachorro que até convida o mascote para o jantar...dentro de um caldeirão cheio de legumes para uma sopa de canela de cachorro.
Em cada comércio que existe aqui na minha pequena cidadezinha ao Sul de San Francisco ( Mill Valley) , tem sempre uma vasilha de água na porta para os cachorros, isso acontece em frente ao supermercado, em frente à academia, restaurante, lojas, sorveterias, etc.

Passeado com a Buffalo, a cadelinha, tem sempre uma criança ou um adulto que me pára pra brincar com o cachorro.
A cena: Joyce passeando com a pretinha, uma pessoa vem andando, levemente se abaixando, fazendo aquela cara de Tiririca quando ele fala “O menino lindo”, se abaixa completamente e fala PARA O CÃOZINHO:  “You are so cute, Hi little dog” e se vai virando para trás e fazendo tchauzinho para o cachorro.  Vácuo e grilos cantando ao fundo.
"Sua chamada está sendo encaminhada para a caixa de mensagens e estará sujeita a cobrança após o sinal ". Minha senhora, notou que atrás do cachorro tem uma coleira e nessa coleira tem uma mão e dessa mão vem um braço e que depois do braço tem um corpo e que por coincidência esse corpo é vivo e sabe falar? Caso tenha notado, "Hi, nice to see you too" Então porque é que você conversa com o cachorro? 1x0 para o cachorro.
Aí, quando eu saio na rua sem o cachorro – pra testar a minha popularidade - , as pessoas me olham e dizem “Where’s Miss Buffalo?” . Ahm, excuse me? Chamar o cachorro de “Miss”? Ei, cadê o meu “Oi”?
Penso seriamente em colocar uma coleira no meu pescoço porque de acordo com a última pesquisa do Vox Populi "Quem não usa coleira, não é gente"

Essa semana foi semana de compras, fui para o centro de SFO, fui pela Market Street e desci em um lugar não tão seguro assim. Lugar tipicamente de filme americano. Em uma esquina uma mulher brigando porque a outra olhou para o homem dela. Bom, acho que valeria a pena brigar pelo cara...se ele tivesse pelo menos três dentes, anyway.
Passei em uma esquina que tinha uns cinco negões, e preto quando vê preto já quer mexer fazendo uma graça. Andando estava eu quando um cara me gritou “Hey, Frizzy hair” (cabelo arrepiado), e eu, como Miss simpatia que sou me virei e dei o meu “tchauzinho”de miss - técnica essa muito boa que não balança os braços – e me piquei dali muito rápido.

“Eu andei tanto, tanto que andei” que cheguei na faculdade, fui fazer minha inscrição para o curso e de lá fui me divertir.
SALE, SALE, SALE, 50% OFF. Meus olhinhos brilharam de emoção, tudo estava em promoção ( e pra mocinha também). Eu decidi me amalfagafar naquela farofa toda e brigar por uma peça de Calvin Klein por USD 19. Só tinha nego se mordendo, bunda se esfregando na cara do outro, consegui entrar e parecia um matuto que nunca tinha ido para a cidade grande antes.
Me senti em uma daquelas promoções de baciada que acontece em São Paulo.
Entre as poucas peças que comprei, não podia deixar de fora as tão temidas calcinhas.
Da última vez eu me ferrei, mas desta vez foi diferente, compre menores, cheguei em casa e lavei as peças e não encolheram, experimentei e fui dar uma caminhada e no primeiro passo uma banda da calcinha enterra na bunda. 
Ô, que excelente essa calcinha, uma parte cobre a bunda inteira e a outra parte samba na bunda alternando entre o fio dental e asa-delta, pôxa, bacana esse lance de deixar parcialmente a maria no parque. E o carnaval da Bahia começa quando?