No início do mês, eu estava com as crianças no parque e eu conversava com uma brasileira que encontrei por lá, um cara, bonito, com cara de inteligente se aproximou e disse : "I love when you guys talk in "brazilian". I've been in the capital of Brazil last year, I'd like to go to Sao Paulo again"
Okay, foi também um prazer te conhecer, tenho que ir, deixei a panela no fogo, tchau!


Hoje eu acordei virada no cão, literalmente. Virei na cama e dei de cara com o cachorro. Além de ter que aguentar a popularidade do mascote ainda tenho que acordar com a bunda dele na minha cara e se sentindo o fodão por ser popular.
Tenho um certo tipo de aversão aos cães. Dizem por aí que é o melhor amigo do homem...sim, claro, só poderia ser melhor amigo do homem mesmo, compartilham afinidades, são bobos, pegajosos alguns fedem, latem por qualquer cadela que passam na rua, levam chute e é só chamar depois de cinco minutos que já estão balançando o rabinho e só fazem merda.
Repare, eu não disse que "homem não presta", somente comentei algumas verdades. Ainda digo mais, mulheres que dizem isso deveriam parar, pensar e não mais tentar achar o homem que presta...deixe-os para mim que eu arrumo serventia para todos eles.

Tive meu dia off na quarta-feira, pois é, What hell eu faria com um dia de folga em um dia de semana?
Pensando no que eu faria com esse meu maravilhoso dia, no qual eu tenho todas as opções do mundo, todas as pessoas livres para compartilhar esse meu momento esplêndido de gloooriosas horas livres, decidi ser totalmente do contra e andar com eu, eu mesmo e myself, almoçar sozinha e falar sozinha porque eu sou louca. Claro que eu nem preciso dizer que usei a minha irônia.
Fui para onde? Claro, San Francisco, terra das bizarrices. É de lá que vem inspiração para escrever, lá que acontece tudo (inclusive buzinar para o velhinho que está atravessando a faixa de pedestres, eu sei, foi feio), é lá que eu me ferro.
Entrei no shopping e encontrei um stand de massagem, fui fazer, oras.
Na maioria dos shoppings americanos existem aquelas tendas para demonstração de produtos e algumas pessoas te puxando para experimentar o que oferecem.
Eu passava em frente de vários deles quando um pouco mais a frente vi algumas garotas pegando mulheres pelo braço para fazer babyliss no cabelo e uma delas sem olhar para que braço agarrava teve a má sorte de pegar o meu, então, ela olhou para mim, olhou para o meu cabelo, fez uma cara de "Que porra é essa?", colocou logo um sorriso no rosto e disse "Nevermind".
Vamos concordar que não dá pra fazer nada na situação atual dos meus cabelos, ela poderia tentar fazer mas eu não poderia garantir que o babyliss sairia de dentro do cabelo.

Falando nisso, Guess What? Essa semana, a mãe e as quatro crianças chegaram com a novidade: "Estamos todos com piolhos". Okay, do meu ninho de mafagafos só se pode extrair mafagafinhos, mantenha distância da minha cabeleira, foram anos cultivando.
Foram três dias de tratamento, quatro crianças e vinte minutos de banho para cada, dez minutos com shampoo na cabeça e mais dez com condicionador.
Simples resposta pra quem pensa que eu deveria dar banho em todas na mesma hora: uma criança sozinha é sempre uma criança, quatro no mesmo recinto é uma organização criminosa."Alô, seu polícia. Tenho quatro elementos no meu banheiro, todos eles com menos de um metro e vinte que querem me picar com facas de borracha. Não, não são anões."
Nem tente imaginar o que poderiam fazer com uma pobre aupair perto de uma banheira cheia de água.

Pode parecer estranho, mas as crianças vivem nessa casa tomam banho todo santo dia. Isso é uma coisa não muito comum, uma criança tipicamente americana não toma banho sempre. Algumas aupair's me contam que uma vez por semana é regra, e se tomam dois banhos na semana eles compensam na próxima não tomando banho. Essa matemática deles é incrível e tem um quê de conscientização ambiental, afinal água do mundo está acabando e que se dane o futum, o cecê, o cheiro ardido que deve ficar nas partes íntimas. E sabe o que é mais engraçado nessa coisa toda? Eles trocam de pijama todo dia. Às vezes penso que ser um pijama não é negócio.

Eu tenho a tarefa de supervisionar o banho dos dois pequenos, uma de seis e outro de quatro...anos.
Uma das coisas que eu preciso supervisionar é se a a pequena lava bem a "menina" dela. O pequeno às vezes fica com a pulga atrás da orelha e pergunta o motivo de ter que lavar aquilo.
Há alguns dias atrás ele começou a dizer "Eu quero ter uma calica" ( crianças que falam português) e eu falo que não pode porque ele tem um pinto.

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Kid: Joyce, Joyce, deixa eu ver a sua calica?
Eu: Não, e fica quieto, estou dando o seu banho.
Kid: Ahm, Joyce? Eu posso tocar a sua calica?
Eu: Já disse que não.
Kid: Você disse que eu não podia ver.
Eu: Okay, você não pode ver, não pode tocar, entendeu?
Kid: uhum! Mas eu queria.
Eu: Escuta uma coisa, menino. Você só vai poder ver ou tocar uma calica quando você fizer 75 anos e estiver casado, certo?
Num surto de felicidade, jogando os braços pra cima, saiu correndo gritando e foi para a cozinha contar a novidade para os pais: "Yay, eu vou poder tocar uma calica quando eu fizer 75 anos".
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Acredito que eu mencionei antes o fato de que minha cidade não tem homem bonito, piorando um pouco a situação, os bonitos são casados com outros bonitos o.O
Descobri um Safeway perto de casa e entrei em felicidade plena quando me fizeram uma pergunta idiota. Semana passada, na sexta-feira, fui comprar iogurte. O que era pra ser uma compra de dez minutos se tornou um passeio de quase uma hora.
Foi um festival de homem bonito que eu até pensei que estava em cidade diferente, pensei até em pegar algumas notas fiscais e escrever meu telefone no verso pra distribuir pelo supermercado mas eu não tinha caneta. Fiz o que eu pude fazer, oras. Me encostei na sessão de cerveja e fiquei olhando o movimento e analisando as mercadorias.

Semana passada, uma aupair que ainda está para vir me mandou um e-mail perguntando o quê ela poderia levar de presente para as kids.
Me deu as opções: Lego, quebra-cabeça e um game que fazia barulho.
A minha resposta foi: Pode parar agora, não traga nada para esses seres despirocados. Motivo? Vou te dar um e acredito que vai concordar. Você é a aupair, você vai catar.
Toda vez que olhar para o brinquedo que trouxe cheio de pecinhas vai querer arrancar os seus próprios cabelos. Não traga nada com mais de uma peça. Lego vai ser um inferno na sua vida, vai ter lego até no seu prato. Quando você pensar que está comendo algo crocante vai perceber que não era comida quando o moreno não escorregar macio.
O melhor presente que você pode dar é um pedala na zoreia do elementozinho quando voltar para o Brasil.

Algumas meninas passam horas nas Ri Happy escolhendo o presente para as kids antes de vir pra cá.
Economiza, querida aupair, compre um brinquedo seguro, molinho, que não machuque. Depois de algum tempo você vai entender o motivo desse conselho mas é de extrema importancia que o brinquedo seja de uma peça somente, lembre-se que é você quem cata.

Algumas tem a doce ilusão que ser aupair é fazer parte da família. Aí que vontade de rir altão quando eu vejo a cara de decepção de algumas.
Pensa, por favor. É uma relação de trabalho, como qualquer outra mas com a diferença de não ser regime CLT. Se você, trabalhando com o seu chefe durante algumas hora já quer matá-lo, tente imaginar MORAR COM O SEU CHEFE.
Acorde enquanto é tempo e saia dessa de imaginar que ser aupair é fazer parte da família. Venha, faça o seu trabalho, se divirta, viaje e só. Não conte com o ovo no cu da galinha em pensar que tudo será lindo, você está vindo para a América e não para o país das maravilhas.
No momento, ser aupair é só uma conveniência para a família, pelo menos isso tem acontecido comigo, sem mais esclarecimentos.

Essa semana, algumas pessoas me disseram que eu ando muito séria, diferente, algo errado se passa na minha cabeça, é o que dizem.
Meu, eu não saio distribuindo sorrisos por aí, pra qualquer ruela que me aparece na frente.
Somente quando eu estou MEGA FELIZ que eu solto risadas, e deixo algumas pessoas cientes disso. Nem quando estou só FELIZ eu demonstro. Pra quê gastar o dente com o vento e colecionar rugas? Prefiro sorrisos internos.

Estou muito feliz com esse blog. Na verdade, eu já sou boba-alegre por natureza, mas a minha felicidade é pelo fato de reconhecimento. Já são cinco meses escrevendo com uma certa regularidade. Alguns leitores - empolguei quando alguns me mandaram e-mail dizendo que não são aupair e com tem mais de 40 anos dizendo pra eu largar dessa vida e escrever livro - mandam E-mail, elogiando, dizem que quando estão com insônia passa por aqui pra ler e dão risadas ao invés de assistir o "Fala que eu te escuto". Uns dizem que parecem retardados rindo em frente ao computador e alguns que conseguem imaginar as cenas e a minha cara de abestada, como por exemplo da vez que eu cai em SFO de saia e bunda pra cima. Outras visitam meu orkut, facebook e muiiiiitas au pairs me fazem perguntas sobre essa vida, dicas e tal. Pensando nas perguntas, vou passar meu formspring: www.formspring.me/joygalindo