Dez meses, muita coisa se passou e parece que foi ontem. Ainda sinto o mesmo ventinho gelado no furico quando eu cai de bunda pra cima em San Francisco, pois é, uma doce lembrança.
Pois é, esse post comecei escrevendo em Fevereiro.
Eu poderia demorar mais um pouquinho, mas decidi logo colocar a cabeça pra funcionar antes que eu esquecesse de tudo mesmo que eu não tenha nada de legal pra escrever, decidi então vir aqui e encher linguiça ( sem trema na linguiça).

Tenho andado muito cansada, triste por algumas vezes, confusa e indecisa mais do que o habitual.
Muita coisa acontecendo com o meu ano acabando aqui em Cali ( California).
Eu tenho só mais 07 semanas aqui. Toda semana, Deza me faz o favor de colocar uma contagem regressiva no msn dela.

Damn it! Confesso que queria ficar aqui pra sempre.
Tenho me dobrado do avesso pra cumprir toda a minha schedule, ainda mais agora com coisas de cinco kids pra cuidar e o curso na faculdade que me toma o dia todo durante dois dias na semana.
Ao contrário de que você lê e interpreta, não, eu não estou reclamando, apenas comentando.

Estive pensando no sofrimento que toda aspirante aupair tem ( como pode existir aspirantes para uma classe tão baixa?) Existem os aspirantes de pedreiros, chamados de oreia seca, os motoristas são  chamados de barbeiros, as aspirantes de manicures são açougueiras, e até aspirantes a comediantes que são chamados carinhosamente de figurantes gostosas do Zorra Total.
Toda profissão tem os estagiários, mas aupair é escragiária, nenhum adjetivo classifica melhor essa classe.
Durante muito tempo eu fui a aupair mais desocupada que existiu nas redondezas. Hoje, tenho tentado achar uma vaga no meu horário para lavar os cabelos.

Em uma dessas minhas fuçadas na internet entrei no Facebook e vi a nova garota propaganda da cerveja Devassa.
Super "combinante" com comercial de cerveja.
O comercial foi legalzinho, mas seria ótimo se ela não tivesse dado aquele sorrizinho mela cueca que ela tem.
Eu nunca fui fã. Não escuto as músicas pois eu acho que  ela não tem o tipo de voz que eu gosto de ouvir.
Eu parei de tentar dar algum crédito quando eu ouvi uma da dupla que dizia assim: "O que é imortal, não morre no final" O.o Sério?
Ah, who care? Ela continua ganhando milhões.

Algumas semanas atrás eu soube que ia ter um "carnaval" nas cidades próximas de onde eu moro.
Fiquei super empolgada pra ir e convidei algumas meninas de outros países pra conhecerem a festa.
Ainda não entendo a causa disso ter acontecido se eu quando estava no Brasil nunca fui de carnaval e menos ainda gostava.
Foi o samba do crioulo doido de tanto reboliço que eu fiz para as meninas irem comigo.
Domingo a noite ( o que uma pessoa faz no domingo de noite na rua?), chegamos ao local e eu passei carão.
O lugar estava vazio, meia dúzia de gato pingado bebendo em um canto e o carnaval da BAHIA rolando solto... quis dizer, não estava rolando e sim quase parando.
Ao contrário do legítimo carnaval baiano no Brasil, o carnaval baiano de Fairfax estava representando a típica moleza de alguns baianos. Os rapazes que estavam tocando viram que a animação do lugar estava mais para funeral  e pra tentar melhorar a situação, resolveram pegar um berimbau e chamaram todos que estavam no bar para assistir uma demonstração de capoeira, não esquecendo de detalhar que o frio estava a quase zero.
Fui dar créditos para os caras, como não? Não entendo o motivo de eu ter dado créditos.
Comecei a ficar muito puta quando eu vi a cambada gingar capoeira em slowmotion, devagar, quase parando como um bom representante da terra de São Salvador.
Eia, cambada mole. Minha vontade era de dar uma ripada no lombo dos que estavam gingando e enfiar um berimbau com arame farpado no orifício rugoso de quem tocava aquela merda de tamanha que era a minha gastura de ver capoeira no estilo Matrix.

Acabei ficando, uma amiga estava gostando de beber cerveja, tanto que ela insistiu que provei no copo dela. Fui provar pra quê? No dia seguinte eu estava com a garganta inchada e tudo coçando.
A minha dúvida era se aquilo era cerveja ou xixi do capeta, pois a sensação que eu tive foi que um dos baianos estava com preguiça de levar cerveja e resolveu dar uma chegadinha na encruzilhada pra levar um lero com o demo "E aí seu capeta, faz quantos dias que não mija? Enche o galão aí"

Esse carnaval foi o oposto do carnaval da Bahia que sempre vemos na TV.
Nos dias de carnaval a gente vê aquele povo feio se transformar atrás do trio, economizam forças o ano inteiro para gastar nos dias do carnaval.
Dias intermináveis, nenhuma programação decente na TV. É carnaval na Band, Globo, Record com a sessão de descarrego, e quando eu penso que nada mais pode piorar, eis que pulo um canalzinho e dou de cara com a procissão do demônio com centenas de pessoas dançando despirocadamente atrás do trio elétrico.
Eu reparei que a maior parte dos micareteiros mais animados são as pessoas de outros Estados, os baianos têm fama de serem devagar.
Mas aí falam que o baiano só fica mais rápido e deixa a preguiça de lado na época do carnaval. Isso na verdade é uma tremenda injustiça, porque não é o carnaval que pode deixar o povo mais ágil.
Pega um Pogobol. Pica. Mistura no acarajé da baiana. Dá para o baiano comer. Espera. Vamos ver se o baiano não vai pular três dias sem parar.

A situação sempre piora quando surge do meio daquele povo suado meninas que geralmente foram de SP para Bahia, mas que antes disso tomaram aulas de axé para não fazer feio  ( sonho meu, sonho meu).
Depois que conseguem requebrar como as dançarinas de banda de axé, achando que estão aptas, pegam o primeiro pacote turístico para o inferno e lá vão desembestando as bestas para Salvador.
Vão de ônibus, claro! Pobre gosta de fazer turismo para ver as "paisagi" e economizar para comprar souvenirs.
Antes mesmo de cair na folia ou pensar em tomar um banho, todo turista babaca aspirante micareteiro vai fazer o quê? Vai querer ser baiano e enfiar quilos de tererê nos cabelos. 
Não contente com o universo de cores em um tererê, tem sempre um noção do grupo  quer ir ali pra comprar umas fitinha pra colocar nos pulso ( bem comendo o s mesmo, é assim que paulista fala). Depois disso resolvem colocar melhor shortinho no estilo Carla Perez, sem esquecer do tradicional abadá. Antes de oficialmente seguirem despentelhadas atrás do trio, a panguazada vai se alimentar de acarajé, claro. 
Não é o suficiente passar vergonha com a dança ( ou não dança), abadá, tererê e fitas do Bomfim, querem também um borrão de bosta nas calças. Saem dançando segurando a diarréia fazendo cara como se estivesse com um cacto enfiado no rêgo.

Balançando, cotovelando todo mundo, balançando cabeça enfiando cabelo na cara de quem tá atrás.
Só esqueceram de avisar que lá é Bahia e que deveria se dançar ao som de Ivete, e não rodar o peão espalhando caspa e seborréia por todo o canto. Tá no lugar errado, meu bem. Seu lugar é lá no Pará junto com aquela praga da Joelma e Stéphany ( não duvido nada que tenha um H no final do nome dessa coisa).
É isso que acontece com paulista marmota. Depois fica com trauma e elege para o próximo ano um carnaval em Minas.
Que diferença faz? Só não vai ter acarajé.