Uma coisa que eu aprendi nesse um ano de au pair foi: Nunca ensine uma criança a gostar de doces.
Repare que quando a criança não pára quieta, o besta do pai ou a bocoió saia torta que é a mãe tentam acalmar a situação entupindo o filho de doce e para calar a boca enfia uma bela de uma bala Juquinha na guela do moleque. Por sinal, bala Juquinha funcionava com crianças menos espertas.Uma dessa no panguazinho e o coitado passava horas degustando e tentando balbuciar algumas palavras para pedir mais para o pai .
Hoje, com criança esperta é diferente. Um iPhone resolve.
Perceba que logo depois de ingerir certa quantidade de doces a criança se transforma. Fica hiperativa.
O moleque não pára, parece até que tomou Ecstasy e foi para o terreiro tomar um passe de Pogobol. Pula pra-lá-e-pra-cá, dá cambalhota, vira pirueta, canta, assobia, chupa cana e acessa internet.
Conheço algumas au pairs por aí que caem na besteira de fazer acordo com a criança, trocando bom comportamento ao longo do dia por recompensas doces ao final do dia. Isso, tonta! Continue negociando com terrorista.

Coitadinha da au pair, nem sabe que vai levar uma enterrada de cacto no meio do furico e levar um tiro de Legos bem no meio das fuça ( é comendo o s mêmo, igual paulista).
Em uma situação de desespero como essa existe algo que pode ser feito:  Enfiar uma mangueira no toba e na guela do guri para desintoxicar.

Todo ano tem  Convenção Anual dos Capetas festa de aniversário. O pai panguazudo e a mãe sem noção decidem fazer uma big de uma festa para comemorar mais um ano vida do filho e convidam a renca daquela molecada ranhenta da escola para confraternizar.
Eu, na minha humilde opinião acho que os pais só deveriam comemorar o primeiro ano de vida do filho, todo mundo bebezinho, festinha calma e nem toca Xuxa. Não há mal nenhum.

Para os próximos anos, 3 aos 5, eu recomendo uma pequena dose de Rivotril no refrigerante da criançada, sabe comé, né! Só para garantir o bem estar do palhaço, recreadoras infantis e pessoal do buffet. Isso para as festas de ricos.
Pobre tem que fazer o aniversário fora do barraco, caso contrário vai subir na vida quando o barraco explodir.

Dos 6 aos 11 anos, nada de doces, bolo de aniversário, pula-pula, touro mecânico (pensando bem, mantenha só o touro mecânico e tenha por perto alguém que saiba fazer nó de marinheiro). Vamos levar a patota para uma sessão de descarrego. Bora lá substituir o salão de festas por um galpão, o palhaço por um exorcista e a trilha sonora será ao som do QUEEEEEEEEEEEEEIMA-QUEEEEEEEIMA...Queima ele jesus, queima ele até torrar.

( PAI, NÃO DEIXA A MÃE LER ESSA PARTE)

Eu me lembro que há alguns anos atrás a coisa não era assim. Não existia grandes produções para uma festinha de aniversário e as crianças da minha geração eram calmas.
Na minha época, o máximo que minha mãe fazia era um bolo com glacê. Sabe aqueles glacês feito em casa com manteiga e açúcar e jogado em cima do bolo duro molhado com guaraná e o recheio era com leite condensado puro? Pois é, era esse que a minha mãe fazia.
A função do guaraná era anular o gosto estranho que o bolo tinha, que mais parecia uma broa. Não contente com toda essa farofada, ainda pegava a mesa da cozinha e colocava na varanda da casa, ligava o som de Elba Ramalho no último, abria o portão para a galerinha chegar.
O auge da festa era a aniversariante, ou melhor, os trajes que a aniversariante usou na festa de dez anos. Um conjuntinho de short com camisa BEGE enfiada dentro do short ( naquela época as calças eram do centro para o peito) e um sapatinho tipo de batismo na cor BRANCO VERNIZ com o número menor do que calçava.
Claro que o charme foi o quesito CABELO que a mãe fez questão de escovar quando estava SECO enfiando um rastelo que mais parecia um esmagador de cérebro, e que não se dando por satisfeita, achou que a filha tinha testão e resolveu puxar FRANJA na criança.
Imagine uma criança com cabelo estilo Chitãozinho e Xororó na versão Black Power na porta da casa recebendo os amiguinhos ao som de Elba Ramalho e se despedindo ao som de Mara Maravilha com o bico do tamanho de um mundo, sem receber nenhum presente...Era eu!
Sim! Eu nunca, em nenhuma das festinhas de aniversário ganhei presente dos amiguinhos. Motivo era que ela fazia questão de avisar as pessoas somente quando o bolo estava pronto e o circo armado.
Pessoas chegavam e diziam "Poxa vida, nem comprei um presentinho para a Joyce" e minha mãe toda simpática respondia "Ah, não precisa. O importante é a sua presença" O.o
CLARO QUE PRECISAVA, a aniversariante era eu e pelo menos para compensar o desgaste emocional eu tinha que ter recebido algum presente.
A festa comia solta e eu no canto sem poder tirar o sapato que me matava e Elba Ramalho cantando "Pisa no meu coração, meu amor não vai doer", trilha sonora que combina demais com festa infantil.
Emocionante! Sofri bullying da minha própria mãe.

Espero fortemente que meu pai tenha conseguido ler as letras garrafais pedindo para ele impedir a minha mãe de ler isso.