Blogando a vida de Au Pair

E a vida continua uma caixinha de surpresas.

Estou mal humorada e irritada. Parece que dormi de conchinha com o capeta, acordei bandida, bufando igual um touro louco para rasgar o estômago do toureiro.

Para me acalmar, decidi dar uma volta pela pracinha e topei com uma amiga brasileira:

Ela: E aí, Joyce! Como foi o seu weekend?
Eu: Normal!
Ela: Normal?! ( em inglês) 
Eu: Sim, normal, sem nada especial.
Ela: Meu WEEKEND foi AWESOME, eu fui para a CITY e estava díficil achar um SPOT para PARKEAR o carro. Mas depois fomos para um brunch and AN HOUR LATER eu voltei para a MARINA (em inglês), o lugar estava SO CROWDED, mas estava bom.
Eu: olhando com cara de "Vei, na boa.....Escolhe um idioma para falar" - Ah, Legal, tchau, tenho que ir.
Ela: Mas você mal chegou.
Eu: Pois é, é muita informação que meu cérebro não vai processar.

Isso me deixou num nervo tão grande, mas tão grande que eu tive que voltar para a casa para me isolar do mundo por algumas horas.

Mano, posso te falar uma coisa? Se você mal sabe falar o seu idioma e fica dando uma de zé frescurinha, você merece ser estuprado.

Uma das primeiras coisas que eu notei quando eu cheguei aqui no US foi isso, e já de primeira achei isso muito antipático e eu prometi para mim, que eu nunca ia fazer isso. 
Sempre consegui conviver com as pessoas que fazem isso, acho feio, fico na minha, mas hoje isso me irritou profundamente e eu não consegui me controlar.

Um desconto se por algumas vezes  falar assim escapa de você. O cérebro te prega umas peças e vai confundir de vez em quando e nem se percebe. Agora, falar desse jeito usando mais palavras em inglês e misturando com algumas palavras em português, "aportuguesando" o inglês e falando assim com uma pessoa da mesma nacionalidade que a sua? É ser brega e decadente. Eu vou te ignorar e para mim você vai ser um "FOREVER ALONE" 

E quando estou com as minhas crianças e paro para conversar com uma conhecida brasileira no shopping?
A pessoa conversa comigo e quando vai conversar com a minha criança ela conversa em INGLÊS.
A criança olha para ela com cara de " vei, pára de me envergonhar" e responde em português.. e a pessoa INSISTE na conversação em inglês. 
O pior disso tudo é que quando saimos, sempre tem amigos que só falam inglês, e, como manda a boa educação, só se pode conversar em inglês, mas não, ao invés de colocar todo o maravilhoso inglês que ela tem gastado fazendo porquice, a pessoa resolve só conversar em português com os amigos brasileiros, deixando as outras pessoas fora da conversa. 
Você entende isso? Nem eu.



Ano 2


"...nada se perde, nada se cria, tudo se transforma" - Lavoisier -  Em outras palavras: Não se pode criar algo do nada e nem transformar algo em nada. Nunca se cria e nem se elimina a matéria, mas é apenas possível transformar de uma forma a outra.
Chamam isso de A Lei da Conservação das Massas, mais conhecida como a Lei de Lavoisier, que também pode se chamar de lei da vida, ou como você queira aplicar isso.

Ano 2...

Já se vão dois anos - completos em 03 de maio de 2012.
Parece que foi ontem que eu passei noites e noites em frente ao computador procurando intercâmbio, conversando com pessoas que estavam fora do Brasil, pedindo informações, recebendo prós e contras, outras vezes nem recebendo respostas. O stress era altíssimo e minha mãe "torrando o saco" querendo saber o que tanto eu fazia no computador que eu não deixava ela ver. Não foram meses pesquisando, foram anos até eu tomar a decisão de última hora que ser au pair seria a melhor opção.
Ou isso, ou nada, então optei pelo isso, que era incerto, mas era melhor que nada, e muito melhor do que o quê eu tinha.

Considero a minha escolha pelo isso, um divisor de águas. Se Deus não tivesse colocado isso na minha vida, como eu estaria hoje?
Sabe aquelas escolhas que você faz, e que muda o rumo que a sua vida estava prestes a tomar?
Aquelas coisas de destino, como perder o ônibus e chegar atrasado no trabalho - e você perdeu o ônibus que teve um acidente horrível e todo mundo morreu, ou, você pegou o caminho errado para o seu trabalho, a gasolina acabou no meio da estrada e aí pára um cara mais gato do mundo, te dá uma carona e pega o seu telefone?
E se nada desses imprevistos tivessem acontecido? Se você tivesse pego o ônibus? Será que você morreria junto, ou só pelo fato de você estar lá ninguém morreria? E se você não tivesse errado o caminho para o trabalho? Talvez a gasolina não teria acabado e você chegaria cedo, seria promovido talvez,  ao invés de encontrar o cara mais gato do mundo que te daria uma carona até o trabalho.
É como se existisse duas estradas na sua frente, e só quando você começa a percorrer o caminho é que você começa a pensar "Hmm, e o que teria acontecido comigo se eu tivesse pegado aquela outra estrada?" Me entende? Estou falando de instantes que mudam o rumo da sua vida.
Seja qual for o rumo que minha vida teria tomado escolhendo a outra estrada, eu estou muito feliz de ter     tido a oportunidade de andar por essa estrada que eu peguei.
Uma das melhores coisas que acontecem nesse momento de "Agora dá ou desce" que aparece na vida, são os frutos que serão colhidos durante o percurso. Frutos bons que te alimentam e te enchem de boas expectativas, combustível para continuar na estrada só para ver o quê vem mais à frente. É a sensação de que você é a pessoa mais forte do mundo e que nada vai te parar.

Nesse percurso cada pecinha que é encontrada vai se juntando uma na outra, uma peça imperfeita, a outra perfeita, que mesmo assim, quando se juntam formam uma peça perfeita, uma areiazinha aqui e outra ali que vai preenchendo espaços entre as pedras.
 E você conhece um monte de gente, as interessantes, as nem tão interessantes, as chatas, as legais, e acaba querendo ser um pouquinho de cada uma dessas pessoas...e você passa a ter um pouquinho de cada uma dessas pessoas. 

E nesses dois anos que fui Au Pair, houve, sem dúvidas momentos de NERVOS à flor da pele, o dia que você quer fazer arremesso de criança pela janela, desafio de conviver com pessoas que não são como você e tentar entender as pessoas, assim como as pessoas tentam te entender, certificando aquilo o que eu sempre tive certeza, mas que precisava de carimbo do tabelião: De que a convivência, é mesmo uma merda.

Se eu pudesse, faria tudo de novo, e de novo, e de novo.

About me (por Tom)

Joyce Galindo é uma semi-balzaquiana ( não existe SEMI neste caso), melhor dizer que sou uma velha de e tenho 28 anos, carioca com sotaque paulista( meu). Exigente por defeito genético, tentou passar na fila da exigência mas vezes, como não deixaram, ela foi buscar os seus direitos no atendimento ao consumidor. Chata pra cacete e detesta quando as pessoas usam o "Mim" antes do verbo, tendo até mesmo coragem de corrigir quem quer que seja em qualquer situação ( não é bem assim), deixo de lado os comentários que ela faz quando alguém "está tendo que usar o gerúndio". Já fez campanhas na empresa para o " Bom uso e emprego da palavra Literalmente", literalmente falando é díficil de aguentar (ops, empreguei a palavra errada, foi?).

É Formada em Marketing, decidiu ser aupair. O motivo? Segundo o que ela diz " Experiência Internacional, além de ser um MEGA up na carreira, é chique" - Mentira dela, na verdade ela sabe que os "mano pira nas mina poliglota"

E para muitos e principalmente para mim os motivos são:

" Essa daí? É louca de pedra por parte de pai e mãe" - Ana Paula

" Non-sense total" - Rafael

" Ela vai comprar Victoria Secrets e Guess mais barato que eu?!" - Paulão (what?!?! O.o).

"Agora que ficou internacional vai ficar díficil de aguentar, ela vai me corrigir no inglês também?" (vc ainda tem dúvida?) - Fábio R.


Vamos ver como é que ela vai voltar dessa MEGA expêriencia.




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