Sofro por antecedência, por isso que criei um bicho de 18 cabeças e meia para a entrevista do visto.
Marquei a entrevista no consulado de São Paulo, preenchi o novo formulário para o visto, que agora é on-line. Eu fui a primeira AuPair da agência a preencher o novo formulário, então, eu fui à agência quebrar a cabeça com as meninas, ook.
Marquei a entrevista do meu visto para o dia 16/abril, data curiosa, depois explico o motivo.
Sofri durante duas semanas, pensando que meu visto seria negado, por não ter um inglês perfeito para o consulado, e bla, bla,bla.
Contei com a ajuda de muitas pessoas, muitas delas me acalmando para eu não ter um piripaque e do amitriptilina também, muitas se ofereceram pra ajudar no que fosse preciso, outra me ofereceu carona até o consulado que é lá no cu do mundo onde Edipo perdeu a vergonha, aliás, todo mundo agora dá um salve para a Tati (salve?! O.o tô virando mano corintiano?), ela me levou até o consulado e me ajudou muiiiiito. (Obrigada, viu, amiga).
Chegando lá, vi uma  fila imensa, cheguei às 7h30min, enfrentei fila, passei mal, tive vertigens de tanta ansiedade, enfim.
Chegou a minha vez de pegar a fila para a entrevista.
Pra quem não sabe,  dentro do consulado é um pátio enorme com um monte de presidiários monte de gente em pé, outras sentadas e as senhas sendo chamadas, mesmo assim o povo fazia fila (Ô, pobraiada que gosta de fila pensando em liquidação)e não precisava de filas.
Enfim, tinha um padre na minha frente, e o entrevistador demorou com o padre cerca de dez minutos ( se ele não fosse padre não teria fama de pedófilo), acho que o visto dele foi negado.
De tanto que ele demorou, abriu um guichê do lado, e me mandaram ir para lá.

Uma mocinha muito simpática me atendeu, novinha de tudo, ela começou a falar em espanhol comigo (ainda tem gente que acha que no Brasil se fala espanhol), logo depois a entrevista foi em inglês, putz, meu inglês estava tão bad que eu não entendia xongas do que ela falava, foi quando eu soltei " Sorry, I'm very nervous" e ela me responde "I'm so sorry too because is this my first day here", eu pensei "pronto, fodeu, ela vai negar o visto para mostrar serviço.
Fiquei uns cinco minutos no guichê, pedi para ela repetir milhares de vezes as perguntas, e ela com a maior boa vontade do mundo me repetiu, ela me pediu para aguardar, tirou os fios do fone, colocou no mudo e foi conversar com o velhinho. De longe eu avistava o velhinho dizendo não com a cabeça, e ela mostrando os meus papéis, e o velhinho mandou ela voltar. Ela me fez mais algumas perguntas e me disse " Oh, vc faz aniversário no dia 10/05, e faz 27", ela voltou a conversar com o cara e começou a me falar que meu visto seria negado por não apresentar vínculos suficientes com o Brasil.
Foi quando ela olhou para mim e viu a minha cara de choro, os olhos molhados, ela olhou para trás, pegou um papelzinho e circulou o J que é correspondente ao J1, passou o papel rápido pela fenda do guichê e me disse " Vai rápido, paga essa taxa e volta aqui neste guichê sem que aquele senhor te veja".
Fiz o que ela pediu, cheguei na fila, e desabei a chorar, voltei no guichê e ela me desejou boa viagem.

Não acreditando no fato ocorrido, liguei para a STB e falei com uma das orientadoras, o diálogo foi bem assim:
J: Oi, Fábia, tudo bem?
F: Tudo, e aí como é que foi?
J: Então, isso que eu queria saber. Quando a gente paga as taxas significa que eu consegui (não acreditando)
F: Claro! Joyce, vc conseguiu, parabéns, estamos felizes por você.  E agradeça a Deus por isso todos os dias, viu. Porque você está embarcando uma semana antes de completar 27 anos.

Outras meninas me disseram "Joy, se Deus existe, tenha certeza de que ele te ama muito"
Ok, acredito muito nisso.

Mesmo assim, eu só acreditei mesmo depois que meu passport chegou.

I GOT MY VISA.

PS.: Sobre a data curiosa que eu escrevi anteriormente, essa data (16/04) curiosamente sempre foi a data que eu começava a trabalhar em todos os meus empregos.